terça-feira, 27 de maio de 2014

ela doce arde

"Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja."





clarice lispector, onde estivestes de noite

domingo, 25 de maio de 2014

da escrita da dissertação [ou retratos de um fim]

foi em abril. foi tenso. foi inseguro. mas foi também coragem. foi confiança. foi alegria. foi alívio. foi orgulho. foram dois anos de mestrado. foram novos amigos, novos textos, novos aires. foi rosário. foram objeto-gentes de estudo. foram conversas, leituras, escritas madrugada adentro.
descobri que a gente tem sempre que fazer por nós. por nosso crescimento, nossas crenças, nossas vontades. o outro sempre vai olhar o que quer de nós. sejamos.
mas que bom contar com tanto apoio nesse caminho de subidas e descidas. somos sós mas não estamos sozinhos. pelas conversas, colos, incentivos, virtuais e presenciais - afinal a internet é mais um campo de troca e afeto - meus sinceros agradecimentos. pela palavra escrita, pelo desenho feito, pelo barulho do mar enviado via whatsapp, pelos almoços, pela impressão, pela compra do bolo preferido de cenoura com chocolate, pelo incentivo financeiro, pelo encontro das defendidas desesperadas, etc etc mil, e por todo carinho e ajuda da orientadora mais amada do brasil: marília rothier. gracias, muchas gracias a todos os envolvidos. <3
envio assim que finalizada a dissertação para todos que pediram. pois quero, afinal, ser lida além da academia.
seguimos o caminho.
gracias y ojalá.


















quarta-feira, 21 de maio de 2014

segunda-feira, 5 de maio de 2014

então isso é ter um fã?

Eu, que sempre fui fã de tanta gente, e sempre gostei de dizer "ei, você, adoro o que você diz (escreve/canta/fotografa/pinta...), mesmo com vergonha, mesmo se algum amigo debochasse. Sempre achei legal dizer para alguém que algo que ele fez foi bonito e me tocou.
Eu, que sou fã de tanta gente e continuo dizendo.
Acho importante.
Eu, que já fui fã que virou amiga, amante.
Eu, que sou fã dos meus amigos.
Pois agora tem gente que também gosta do que escrevo e me diz.
Que bom. A gente não tá sozinho.
Que bom. As palavras, as imagens, chegam, tocam.
Troca.
Viva a internet.
Viva a coragem do dizer.
Seguirei dizendo.


eis. corações:

"Não nos conhecemos e te "descobri" através do Instagram. Confesso que desde ontem, ando tentando ver todas as suas publicações por lá, pois há um mundo de coisas interessantes! Copio o que acho bonito, anoto os livros e os trechos que você menciona para procurar depois e ler também e desta forma vou tentando me enriquecer da sua fonte de coisas bonitas e simples por lá.
Você tem uma vida muito bonita de ser vivida.
Adorei também o seu blog (se assim posso o chamar) e passei a te seguir por aqui também!
Parabéns pela leitura, por dividir isso conosco e pela sua forma de viver! Pois nota-se que você faz isso com muito prazer.
Muitos Parabéns!"


Oi XXX,
Tudo bem?
Não respondi antes por não saber mesmo o que dizer.
Que posso dizer?
Obrigada por suas palavras, pela sua atenção com o que eu escrevo.
É sempre bom saber que não falo para paredes surdas.
E acho que toda vida é bonita de ser vivida, né? basta saber olhar. Nem tudo é bonito na minha vida não, mas internet é isso, esse filtro, esse "o que quero mostrar de mim"... Minha dissertação de mestrado, não por acaso, é sobre escrita na internet ;)
Sim, dividir o que me toca é sempre um prazer!
Boa vida pra você!


Teve essa pessoa linda, menos íntima do que eu gostaria, que... :
- só pra vc saber que tens uma fã...
- jura? dos escritos? nunca sei. gracias  <3
- dos dois <3
- que dois?
- de vc e dos seus escritos"

(confesso que, feliz, corei)

E teve:
"Aline, querida, precisava te dizer: como é bom te ler no facebook! Suas palavras tem uma força linda! Boa sorte na sua dissertação. Vou começar a minha este ano. Lá na UFRJ, em ensino/aprendizagem de Espanhol LE. Um beijo grande!"

<3

Outra resposta que me deixou feliz foi de pessoas de fora do meu mestrado que pediram para ler minha dissertação. Até comentei isso no dia da minha defesa. De que adianta, pois, escrever e ser engavetada? Não, não. Quero ser lida. Claro. Tanto afinco, tanta dedicação. Disse Clarice amiga espiritual: 

Sofro se isso acontecer, que alguém leia meus livros apenas no método do vira-depressa-a-página dinâmico. Escrevi-os com amor, atenção, dor e pesquisa e queria de volta como mínimo uma atenção completa. Uma atenção e um interesse como o seu, Tom. E no entanto o cômico é que eu não tenho mais paciência de ler ficção.

o jobim, acima é o tom. em entrevista aqui: 
http://www.jobim.com.br/entrevistas/lispector/lispector.html

ps: ah, sim, e teve essa entrevista que li, sem saber, que alguém que admiro admira-me também: pedro fonseca. muito admira? pára, pedro, pedro, para, esse pedro é uma parada <3 http://www.ideafixa.com/ana-entrevista-pedro-fonseca/ 

quinta-feira, 13 de março de 2014

email que enviei estando em rosario a minha orientadora carioca:

Aline Miranda < xxxxxxx> 24/11/13
para Marília <xxxxxxxxx>


Oi Marília,
Como está tudo?

Primeiro, desculpe pelo chá de sumiço.
Aqui vai tudo bem.
Tive momentos de êxtase e de solidão sentimental, como a vida é, afinal, e como fugir?
É estranho ficar longe da sua "terra": língua, família, amores, amigos, ruas já conhecidas... Mas é ótimo sentir-se sozinha e capaz de ser. E aqui é fácil, pois Rosário é, como diz uma empresa de ônibus aqui, "feita de gente". A cidade acolhe, é grande mas com clima de Niterói, por exemplo, não tem a correria de buenos aires, muito menos a agressividade (de cotidiano, trânsito e gente) do Rio. Se fosse mais viável o encontro com os entes queridos do Brasil, moraria fácil aqui. Maíra também. Estamos todos enamorados de Rosário.

Mónica foi uma ótima escolha, obrigada mesmo!
Pois, frequentei as aulas dela e gostei muito, rabisquei muitas anotações, ela falava de vanguarda, de como a tecnologia modificou a vida das pessoas, suas relações, suas miradas. E achei importante pensar na internet ocupando esse lugar hoje. Acho mais difícil observar enquanto tudo está no "instante-já", mas já podemos perceber muito, e já tem se escrito sobre isso, fora as manifestações pessoais pelos facebooks e blogs da vida.
Pois que num encontro com Mónica na casa dela, falei dessas duas vertentes que eu queria abraçar no trabalho, do que o paulo britto sugeriu que eu chamasse de "blogs do eu" (os de caráter mais pessoal) e "blogs de nós" (buscando transformações sociais, políticas, etc), e ela também achou (como vimos na qualificação) que era muita coisa. Como não dá para abraçar um oceano, conversando vi que o que mais me toca ( e que talvez seja o campo que eu tenho mais conhecimento, apesar de achar sempre que é pouco) é o dos blogs de "eu". O que acha? Inclusive por eu mesma ter blog(s). Achei que isso pode ser enriquecedor, para o trabalho e para mim também como escritora, pois. E Yoani Sánchez também estaria nesse trabalho, claro, mas é que o enfoque, o olhar, seria menos sobre ciberativismo, e mais para as questões de por qual razão uma pessoa cria um blog, qual a diferença entre a escrita na internet e nos livros, na escrita, recepção, interação do leitor, se todo blogueiro quer publicar um livro, o "status" que o livro ainda dá, etc....
E buscando conectar os países, Mónica me sugeriu um escritor, blogueiro, crítico, professor acadêmico chamado Daniel Link. Ele é argentino, mora em BuenosAires, dá aula, escreveu milhares d elivros e mantém seu blog até hoje. Fui estudá-lo e, sorte, gostei muito. Ele fala bastante (no blog e em artigos e colunas) sobre a escrita na internet. Teoria e prática. Como estou fazendo / terei que fazer. Quando fiz especialização na UFRJ e apresentei um trabalho sobre a Yoani Sánchez, uma professora havia comentado algo sobre ele, o Link, mas ela não sabia muito, e na época não achei o blog dele. Engraçado é que eu havia anotado para ver se tinha alguma coisa dele por aqui, durante a viagem... O mundo dá voltas mas para onde tem que parar, né? 
Bom, estou com perguntas rascunhadas para tentar fazer com os blogueiros, ex-blogueiros e agora autores de livros, e os que seguem com os dois. O livro da Denise Schitine tem me ajudado muito nisso e a repensar as mesmas e novas questões. E um aluno daqui do doutorado me enviou um tarbalho que ele fez sobre esse blog do Daniel Link! Mónica através da Irina, soube da pesquisa dele e nos colocou em contato. 

Bueno, además, assisti duas aulas (sendo que uma foi em 3 dias) em um lugar bacana aqui que se chama Faculta Libre, onde há cursos e palestras variados com preços acessíveis para o público em geral. Uma foi de um professor da UNR, da parte de comunicação, falando sobre Narrativas Transmídias, de como a internet pode auxiliar com suas diversas plataformas... Foi bastante enriquecedor, porque expandiu minha cabeça para o mundo além-blogs que é possível na internet. Maravilhoso e assustador. Outra aula foi de uma escritora daqui, Pola Oloixarac, eu tenho o livro dela, mas comprei antes de vir e não o li, mas ela foi muito falada quando foi ao Brasil para a Flip, não sei se tão só (ou se) pela escrita em si, mas também por ser jovem e "bonita". Pois, ela deu um seminário que se chamava exatamente: "Parásitos, Parodias y el Monstruo Novelar: Formas del discurso naturalista en la era de la información". Foi ótimo também, e ela mantém blog, fiquei em contato com ela e poderei fazer algumas perguntas e breve.

Bom, resumindo, é isso.
Ah, e fui numa exposição no lindo museu de arte contemporânea daqui, que fica na beira do rio paraná, e uma obra especificamente tratava de cartas em que um possível estudante argentino que recebeu bolsa de estudos para ir aos Estados Unidos e não foi (!) justificava-se mostrando tudo onde ele havia gasto o dinheiro, com compra de obras de arte, jantares para amigos, etc. Achei muito inspirador. Mas fique tranquila que não farei isso. Mas fiquei pensando em como não perder o meu lado "artístico" na escrita da dissertação. Pensei, conversando com a Maíra, que foi nessa exposição comigo, em fazer um blog. E depois pedir para alguém conhecedor de informática transformá-lo em word. Até comecei mas não consegui achar uma boa ideia na prática. Acho que o blog funciona mais para a escrita "jornalística" ou de diário, porque não consigo escrever um trabalho na ordem certinha, como as "postagens" do blog, entende? Mas tentei porque achava que se eu escrevesse no word como se fosse um blog já não seria um blog mas um "como se fosse". Eu fiz outro, aí mais "diário", ou mais "poético" (ambos) chamado "en rosario enamorada". Pois é. Mas então não sei muito o que fazer. Talvez colocar entre o texto "postagens" minhas ( e dos outros também, imagino) de blogs que dialoguem com tais partes do trabalho (colocando o link para acessá-las, talvez nas últimas páginas, com referências, caso quem leia tenha vontade de lê-las pelo original, a tela do computador)....


Escrevi muito... espero não ter sido exagero.

Ah, e comprei um livrinho de um poeta e professor daqui (assisti uma fala dele num seminário essa semana), Molina. O livro se chama BLOG, é de uma editora independente de Rosário e em um evento em que participei (de ajudante de músico traduzindo canções ao vivo via tela do computador!!) conheci o editor desse livro e ele disse que os textos foram tirados de um blog, por isso o nome. Assim que eu terminar de ler o trabalho sobre o Link vou averiguar essa informação preciosa sobre o Molina.

E uma notícia que acho que você vai gostar. Você já ouviu falar de cartoneiras? São uns livros feitos d emaneira simples, reutilizando papelão para as capas, para baratear o custo de fabricação e venda. Isso começou aqui na Argentina faz anos. Tem um poeta no Rio (Pedro Rocha) que está fazendo. E com mimeógrafo e máquina de escrever! O Domingos Guimaraes fez uma cartoneira, eu vou fazer também, mas como viajei, só na volta.
Então, isso para dizer que esse editor convidou a nós três (eu, Luiz e Maíra - nos conhecemos juntos nessa mesma noite) para fazermos um livro-cartoneira com poemas nossos! Simples e baratinhos, para o final de semana que vem participarmos da feira internacional de editoras independentes que terá aqui! :)

Com essa boa e refrescante notícia me despeço desejando um ótimo domingo.
Beijos,
Aline.

quarta-feira, 12 de março de 2014

da dissertação

observações de minha irmã nos primeiros meses da escrita:
- aline, nunca te vi lavando tanta louça na vida!

observações de minha irmã nas últimas semanas da escrita:
- aline, você pode lavar essa louça aqui, pelo menos, para me ajudar?

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

escrevendo a dissertação, o barulho da obra acabou, agora menos carros, menos calor, menos gente e suas vozes me invadem da rua, de certo há mais barulho mas ouço apenas o vrum-vrum de um velotrol sobre a calçada, devagar, rápido, e sem que eu possa racionalizar, sou remetida à infância, vrum-vrum, desce um ônibus, vrum-vrum, passa a buzina do carro de bolo, vrum-vrum cada vez mais rápido, danado esse moleque, vrum-vrum, estranho eu nem cogitei ser menina, vrum-vrumvrum-vrum, silêncio agudo, seguido de choro aos berros.

ilustração de yuli anastassakis para foto que achei na internet