Cena: Noite. Domingo de Carnaval. Chove. O guarda-chuva grande combina com a cor dos cabelos dela. Ainda que não seja a mesma - a cor, ela. Ninguém pára os táxis. Ninguém vende sakê. Caminha e encontra amigos coloridos e molhados de chuva. Peitos nus, unhas postiças. É a senhora dos absurdos? Fica encantada com a beleza do novo loiro. Parece estrela. Ninguém pára táxis. Ninguém vende sakê. O metrô sentido zona norte é uma babilônia. Gritos, multidão, ameaça de brigas. Álcool. Ela não tem uma gota nas veias. Uma mulher passa gritando: Não estou aguentando! Seu acompanhante a alerta que a saída é pro outro lado. Raquel (meu codinome beija-flor) desce as escadas aliviada de ver que o sentido para onde vai está calmo e tranquilo. (De tudo isso, qual é o sentido?) A mulher, que antes gritara, parece querer aliviar-se também e, sem cerimônias, agacha-se no topo da escada que dá acesso à plataforma, abaixa a calcinha e... mija. Guardas desconcertados se falam pelo rádio, mas nenhum é capaz de interromper o fluxo natural daquela mulher que já não aguentava mais. Ao final o guarda sobe, ela corre, entra no vagão e parte, espremida aos demais foliões que cantam. Do lado de cá chega também o metrô colorido do Rio. Rio.
"Teu beijo doce Tem sabor do mel da cana. Sou tua ama, tua escrava, Meu amor. Sou tua cana, teu engenho, teu moinho; Tu és feito um passarinho Que se chama beija-flor. Sou tua cana, teu engenho, teu moinho; Tu és feito um passarinho Que se chama beija-flor."
Diálogo de surdos, não: amistoso no frio. Atravanco na contramão. Suspiros no contrafluxo. Te apresento a mulher mais discreta do mundo: essa que não tem nenhum segredo.
Um dos blogs que "analiso"* na minha dissertação é o da dona moça letícia maria (o maria é carinhoso e por minha conta), na verdade Letícia Novaes.
Conheci Letícia primeiro na música e logo depois na escrita, e tempo depois, na vida.
Para mim é sempre um prazer lê-la e ouvir suas ideias e blablablás.
Dona capricorniana tem um jeito de escrever muito bonito, sincero, um abraço.
Sempre achei esse nome bonito, Letícia significa alegria, que ela traduz tão bem e enche olhos e bocas d'água.
Quando penso nela, imagino amarelo, sol, sorriso, verão, violão.
Letícia escreve memórias para o futuro dos sobrinhos; recorda memórias passadas (meus textos preferidos e que tantas vezes me fazem chorar e amar a criança que foi/é, caminham por aqui); coloca seu olhar sobre o presente e as miudezas e grandezas dessa vida; além de compor canções que embalam sonhos, cores e nuvens.
Aguardo seu livro.
letícia ama escrever:https://www.youtube.com/watch?v=W3zsxfuRNNI
(foi justamente rever esse vídeo que me impulsionou escrever esse post. mas não consegui colocar a miniatura. vale a pena o click. uma vez fui mostrar o cd do letuce para uma amiga e disse: "a letícia é uma pessoa muito.. muito.. única. bom, a letícia é isso:" e mostrei o vídeo. somos todas da mesma tribo.)
"Eu amo escrever. Se a música não tivesse me capturado eu realmente teria sido escritora. Eu cheguei a fazer faculdade de Letras, mas não era muito bem o que eu esperava, eu esperava um clima Sociedade dos Poetas Mortos, pessoas nuas no corredor declamando poesia e foi um clima muito acadêmico, pentelho e chato. Aí eu pensei, eu amo Letras mas não é bem o clima da faculdade." (letícia) "Tudo o que é bizarro, bizolo, eu capto a minha atenção para esse lugar e me envolvo com isso e me inspiro." (letícia) "O que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto de um modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão." (clarice)
letícia ama ler:
*analiso? estudo? cito? nunca sei que palavra usar. ainda não sei.
ps: eu também, letícia, imaginava faculdade de letras de outro jeito...fuén
pps: algumas postagens de certa forma entrarão na dissertação, tudo aqui nesse blog é experimentação. é o off-escrita acadêmica, é o in, on.
Que vontade louca de escrever.. mas não o trabalho do mestrado... Mestre em quê? Quero antes ser mestre da vida! Mas sem filosofar... sem marthamedeirizar.. como uma amiga alertou. Pro bem?
Hoje estou interrogativa. Talvez seja a TPM, talvez seja alívio de piriri que passou. Tabu? Hora, Xuxa mesmo já dizia "todo mundo tem piriri, catapora, cuidado isso pode pegar. (olha o perigo!) O doutor já veeem, tá dodói nenéeeem, coisa que toda criança teeem..." e segue a loira seduzindo a garotada, no alto de suas botas, pernas longas e minissaia.. Xuxa, Xuxa, assim você me mata... Terá sido ela minha primeira paixão? Conheço tanta gente que gosta de um armário... benzadeus! Da família à televisão. Seria a presidenta sapatão? Sei que a frase é forte e atrevida. Mas não podia deixar de escrevê-la por pudor. A escrita deve ser livre. Ou não. Se o café afastou a preguiça e me dispus a ser tocada pelo genius (sim, estou debochando) porque me auto-censurar? Deixe-mos isso aos generais. Ou vocês acham que esse texto é contemporâneo? Se enganou meu bem, pode vir quente que o leite está fervendo.
Prometo amarrar todos os assuntos a seguir.
É que estou escrevendo um "ensaio acadêmico", perdoem-me, e isso é novo para mim. Tive aula sobre o tal, mas bem ensaística, digamos. Gosto de liberdade mas também gosto de tabelas.Queria encontrar assim: um ensaio ensaístico deve conter... Olhei algumas coisas na internet, biblioteca nossa de cada dia (ps: escrever sobre pesquisas escolares da infância), e saí anotando tudo numa folha (duas) para ter guardado "pra vidam". Poderia escrever aqui para vocês, vai que salvo alguém como fui salva, mas no momento estou ocupadíssima com esses tais ensaios. E preciso vir aqui para extravasar a montanha de informações e pensamentos não-acadêmicos que invadem minha cabeça durante a escrita.
Agora vou amarrar tudo bonitinho com laço de fita rosa de cetim:
1- Fiquei com medo de ficar com a escrita boba depois que uma amiga puxou minha orelha quando escrevi:
"A força. Ela sempre morou em nós. É preciso despertá-la. A fera está adormecida pelas lágrimas de ninar. Mas num repente inesperado ela se faz valente, rompe as costelas, e a energia que emana a tudo toca. Sabendo guiar essa energia estaremos prontos para tudo."
(é tão ruim assim?)
2- Acho sim que um bom e sincero diário deve dizer que a escritora sofreu de dor-de-barriga durante 48h e que em um despertar da madrugada ficou com medo de morrer disso, imaginando até a frase que ouviria do além: "pois é, era só uma dor-de-barriga, não demos importância...".
(ps: terminar de ler A louca da casa, de Rosa Montero, (só eu entendi essa associação))
3- Sim, hoje vejo que a Rainha dos baixinh@s usava da voz mole para seduzir-nos todos. Vide o vídeo que vou tentar colocar aqui para vocês. Não sei se isso é mal ou mau mas acho que hoje não seria visto com bons olhos. Ou sim. Viva Caê.
4- Meu sonho era ver no site do ego: "Presidenta apresenta a nova primeira-dama" ou na capa da Caras: "Primeiras fotos de Duda, filho de Xuxa e Ivete." Não seria demais?
5- Não, não sou Aline Miranda, não escrevo em 2012. Autoficção ou autobiografia? Como dizia Clarice: "Experimento viver sem passado, sem presente e sem futuro, eis-me aqui livre."
6- Para o diabo a nova ortografia de vocês! (não vocês, caros leitores, se é que os tenho. diário não tem comentários, eu sei. mas é que as vezes me sinto tão sozinha. (função apelativa, aprendi direitinho))
E respondendo à pergunta do título, não, não vale SÓ texto criativo. Tem que ter alguma teoria também. Ok, deixemos a arte para depois. Afinal o mais importante é repetir o que já foi dito, não é mesmo?