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segunda-feira, 5 de maio de 2014

então isso é ter um fã?

Eu, que sempre fui fã de tanta gente, e sempre gostei de dizer "ei, você, adoro o que você diz (escreve/canta/fotografa/pinta...), mesmo com vergonha, mesmo se algum amigo debochasse. Sempre achei legal dizer para alguém que algo que ele fez foi bonito e me tocou.
Eu, que sou fã de tanta gente e continuo dizendo.
Acho importante.
Eu, que já fui fã que virou amiga, amante.
Eu, que sou fã dos meus amigos.
Pois agora tem gente que também gosta do que escrevo e me diz.
Que bom. A gente não tá sozinho.
Que bom. As palavras, as imagens, chegam, tocam.
Troca.
Viva a internet.
Viva a coragem do dizer.
Seguirei dizendo.


eis. corações:

"Não nos conhecemos e te "descobri" através do Instagram. Confesso que desde ontem, ando tentando ver todas as suas publicações por lá, pois há um mundo de coisas interessantes! Copio o que acho bonito, anoto os livros e os trechos que você menciona para procurar depois e ler também e desta forma vou tentando me enriquecer da sua fonte de coisas bonitas e simples por lá.
Você tem uma vida muito bonita de ser vivida.
Adorei também o seu blog (se assim posso o chamar) e passei a te seguir por aqui também!
Parabéns pela leitura, por dividir isso conosco e pela sua forma de viver! Pois nota-se que você faz isso com muito prazer.
Muitos Parabéns!"


Oi XXX,
Tudo bem?
Não respondi antes por não saber mesmo o que dizer.
Que posso dizer?
Obrigada por suas palavras, pela sua atenção com o que eu escrevo.
É sempre bom saber que não falo para paredes surdas.
E acho que toda vida é bonita de ser vivida, né? basta saber olhar. Nem tudo é bonito na minha vida não, mas internet é isso, esse filtro, esse "o que quero mostrar de mim"... Minha dissertação de mestrado, não por acaso, é sobre escrita na internet ;)
Sim, dividir o que me toca é sempre um prazer!
Boa vida pra você!


Teve essa pessoa linda, menos íntima do que eu gostaria, que... :
- só pra vc saber que tens uma fã...
- jura? dos escritos? nunca sei. gracias  <3
- dos dois <3
- que dois?
- de vc e dos seus escritos"

(confesso que, feliz, corei)

E teve:
"Aline, querida, precisava te dizer: como é bom te ler no facebook! Suas palavras tem uma força linda! Boa sorte na sua dissertação. Vou começar a minha este ano. Lá na UFRJ, em ensino/aprendizagem de Espanhol LE. Um beijo grande!"

<3

Outra resposta que me deixou feliz foi de pessoas de fora do meu mestrado que pediram para ler minha dissertação. Até comentei isso no dia da minha defesa. De que adianta, pois, escrever e ser engavetada? Não, não. Quero ser lida. Claro. Tanto afinco, tanta dedicação. Disse Clarice amiga espiritual: 

Sofro se isso acontecer, que alguém leia meus livros apenas no método do vira-depressa-a-página dinâmico. Escrevi-os com amor, atenção, dor e pesquisa e queria de volta como mínimo uma atenção completa. Uma atenção e um interesse como o seu, Tom. E no entanto o cômico é que eu não tenho mais paciência de ler ficção.

o jobim, acima é o tom. em entrevista aqui: 
http://www.jobim.com.br/entrevistas/lispector/lispector.html

ps: ah, sim, e teve essa entrevista que li, sem saber, que alguém que admiro admira-me também: pedro fonseca. muito admira? pára, pedro, pedro, para, esse pedro é uma parada <3 http://www.ideafixa.com/ana-entrevista-pedro-fonseca/ 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Um trecho e depois uma breve história:

"DORMIR

O inspetor Maigret tem uma frase assim: "pour agacer le plaisir de dormir", para aguçar o prazer de dormir. Pois inventei uma coisa muito boa nesse sentido: quando enfim deitada, depois de um dia difícil, penso: e se agora eu tivesse que ir a Bonsucesso para comprar um remédio? Aí estremeço de prazer de estar na cama. Ou penso: e se a campainha tocasse e fosse uma dessas visitas gordas em palavras, e me obrigasse a me vestir toda e a ouvir, a ouvir? Então, diante disso, a cama fica preciosa, eu me encolho toda e agucei - como traduzir agacer - o prazer de ter uma cama."

p 133, A descoberta do mundo, Clarice.

a minha história:

Primeira parte:
fazendo hora na rodoviária hoje, fiquei folheando livros da clarice, agrupando-os juntos (estava tudo solto, pecado, pensei), e avistei "a descoberta do mundo". são crônicas dela para o jornal do brasil entre 1967 e 1973. escolhi uma pelo nome, "Xico Buark me visita". pois, o Chico a visitou a convite dela. li, cheirei a página. li mais um sobre os filhos e, tic-tac, relógio. pelo tamanho do livro, 478 páginas, uau (pra mim), imaginei salgado o preço. a maquininha,fez "pru" e revelou: quase 60 pilas. desisti. ontem mesmo comprei três dela: de entrevista e mais dois para presente.

Segunda parte:
chegando a cabo frio fui encontrar a família na feira do livro que está rolando na praça porto rocha. "olha aline, aqui tem muitos da clarice". sim, e um único exemplar da "descoberta" por... 25 reais!!! não sabia que tão cedo teria esse livro em mãos. a gente sente quando precisa ler um livro, né? compartilhei esse texto do dormir porque era o menor de todos que já marquei. sobre madrugadas de insônia também. sugiro "enquanto vocês dormem" e "insônia feliz e infeliz". além disso, estou lendo seus (dela) encontros, cronologicamente, com o chico buarque, que ela diz admirar pela candura. diz ela também ser assim apesar de não parecer. e uma admiradora de ambos disse vê-los como seres de candura. clarice disse que, pois, a menina "é mil vezes mais cândida que nós". 

link da minha foto com clara e clarices

identifico-me, deleito-me, encho o peito e sugiro leitura em muitas doses para enchê-los de candura a todos.

bons sonhos.
em peixes.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Professora, vale texto criativo?

   Que vontade louca de escrever.. mas não o trabalho do mestrado... Mestre em quê? Quero antes ser mestre da vida! Mas sem filosofar... sem marthamedeirizar.. como uma amiga alertou. Pro bem? 
   Hoje estou interrogativa. Talvez seja a TPM, talvez seja alívio de piriri que passou. Tabu? Hora, Xuxa mesmo já dizia "todo mundo tem piriri, catapora, cuidado isso pode pegar. (olha o perigo!) O doutor já veeem, tá dodói nenéeeem, coisa que toda criança teeem..." e segue a loira seduzindo a garotada, no alto de suas botas, pernas longas e minissaia.. Xuxa, Xuxa, assim você me mata... Terá sido ela minha primeira paixão? Conheço tanta gente que gosta de um armário... benzadeus! Da família à televisão. Seria a presidenta sapatão? Sei que a frase é forte e atrevida. Mas não podia deixar de escrevê-la por pudor. A escrita deve ser livre. Ou não. Se o café afastou a preguiça e me dispus a ser tocada pelo genius (sim, estou debochando) porque me auto-censurar? Deixe-mos isso aos generais. Ou vocês acham que esse texto é contemporâneo? Se enganou meu bem, pode vir quente que o leite está fervendo.
   Prometo amarrar todos os assuntos a seguir.
   É que estou escrevendo um "ensaio acadêmico", perdoem-me, e isso é novo para mim. Tive aula sobre o tal, mas bem ensaística, digamos. Gosto de liberdade mas também gosto de tabelas. Queria encontrar assim: um ensaio ensaístico deve conter... Olhei algumas coisas na internet, biblioteca nossa de cada dia (ps: escrever sobre pesquisas escolares da infância), e saí anotando tudo numa folha (duas) para ter guardado "pra vidam". Poderia escrever aqui para vocês, vai que salvo alguém como fui salva, mas no momento estou ocupadíssima com esses tais ensaios. E preciso vir aqui para extravasar a montanha de informações e pensamentos não-acadêmicos que invadem minha cabeça durante a escrita.
   Agora vou amarrar tudo bonitinho com laço de fita rosa de cetim:
   1- Fiquei com medo de ficar com a escrita boba depois que uma amiga puxou minha orelha quando escrevi:
"A força. Ela sempre morou em nós. É preciso despertá-la. A fera está adormecida pelas lágrimas de ninar. Mas num repente inesperado ela se faz valente, rompe as costelas, e a energia que emana a tudo toca. Sabendo guiar essa energia estaremos prontos para tudo."
(é tão ruim assim?)
   2- Acho sim que um bom e sincero diário deve dizer que a escritora sofreu de dor-de-barriga durante 48h e que em um despertar da madrugada ficou com medo de morrer disso, imaginando até a frase que ouviria do além: "pois é, era só uma dor-de-barriga, não demos importância...".
(ps: terminar de ler A louca da casa, de Rosa Montero, (só eu entendi essa associação))
   3- Sim, hoje vejo que a Rainha dos baixinh@s usava da voz mole para seduzir-nos todos. Vide o vídeo que vou tentar colocar aqui para vocês. Não sei se isso é mal ou mau mas acho que hoje não seria visto com bons olhos. Ou sim. Viva Caê.
   4- Meu sonho era ver no site do ego: "Presidenta apresenta a nova primeira-dama" ou na capa da Caras: "Primeiras fotos de Duda, filho de Xuxa e Ivete." Não seria demais?
   5- Não, não sou Aline Miranda, não escrevo em 2012. Autoficção ou autobiografia? Como dizia Clarice: "Experimento viver sem passado, sem presente e sem futuro, eis-me aqui livre."
   6- Para o diabo a nova ortografia de vocês! (não vocês, caros leitores, se é que os tenho. diário não tem comentários, eu sei. mas é que as vezes me sinto tão sozinha. (função apelativa, aprendi direitinho))

   E respondendo à pergunta do título, não, não vale SÓ texto criativo. Tem que ter alguma teoria também. Ok, deixemos a arte para depois. Afinal o mais importante é repetir o que já foi dito, não é mesmo?

(drogaocaféesfriou)