na cor-
reria
das tuas unhas feitas
de mulher
eu ria
e mirava aline
mirando
o impossível do horizonte
abria com a faca
a concha da lapa
e vertia pra língua
o sabor marinho
que escondia
e no cabo
mais frio da noite
refugiava as mulheres,
os homens,
no leito febril
de sonhos
eu via
aline voando
sem
distinção
ou medo
do que pode ser
ser feliz.
anna beatriz mattos
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segunda-feira, 18 de abril de 2016
um dia escreveram este poema para/sobre mim (isso é tão raro)
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quinta-feira, 14 de abril de 2016
Poeta ou Poetisa?
Mais que gramática, uma questão de gênero.
Quando eu, ainda criança, nas pequenas bibliotecas da casa e da escola, lia poesia, chamava as mulheres que as escreviam de "poetisas". Acho que era assim que vinha escrito nos livros, nas biografias. Achava bonito. Poesia com um "t". Até o dia em que me deparei com o poema "Motivo", de Cecília Meireles - talvez o único que eu saiba de cor (e um dos que eu mais me apodero e me identifico):
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Não sei quando me descobri fazedora de poema (de poesia sempre fui). O primeiro poema meu que lembro, escrevi para um livrinho da escola, na então quarta série, aos 10 anos. Quando li o poema da Cecília, eu já era adolescente. Então, assim que li, pensei: "Sou poeta!", tanto na escolha da palavra como no ofício desta arte.
Já adulta (que distante do passado, que distante do futuro - somos tão jovens - e selvaaaagens), fui trabalhar com uma professora de 70 anos e, para ela, preferir ser chamada de "poeta" não fazia tanto sentido. Ela me dizia achar "poetisa" mais sonoro, mais bonito. Mas eu e ela concordávamos que é uma questão de gosto. Chame-se como quiser. A todo tempo escutamos que somos quem queremos ser. Na medida do (im)possível. Ou, como diz Leminski - em frase que conheci através da cantautora Zélia Duncan -, "Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além"!
Em relação à escolha da palavra, "o termo poetisa passou a ser contestado por ter sido atribuído a ele um significado pejorativo, cuja carga semântica denotava certa diminuição, inferiorização da literatura produzida pelas mulheres, que durante muito tempo permaneceram à margem de um padrão que priorizava o ponto de vista masculino em qualquer tipo de produção intelectual. Sendo assim, muito antes das questões evidenciadas pelas teorias feministas de gênero ganharem espaço, algumas escritoras apropriaram-se do termo poeta para intitularem-se, compartilhando com os homens a designação desse ofício." (fonte: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/gr…/poeta-ou-poetisa.htm )
Portanto, o ofício é o mesmo. Dilma Rousseff, por exemplo, poderia intitular-se "presidente", sem mudança alguma. No entanto, a palavra pode ser usada como gesto político, de reconhecimento, autoafirmação. Assim sendo,
Somos Poetas, Somos Presidentas!
ps: questões ainda a se pensar e conversar: 'poema ou poesia?' e 'quem se forma em Letras é...?'. ;)
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