na cor-
reria
das tuas unhas feitas
de mulher
eu ria
e mirava aline
mirando
o impossível do horizonte
abria com a faca
a concha da lapa
e vertia pra língua
o sabor marinho
que escondia
e no cabo
mais frio da noite
refugiava as mulheres,
os homens,
no leito febril
de sonhos
eu via
aline voando
sem
distinção
ou medo
do que pode ser
ser feliz.
anna beatriz mattos
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segunda-feira, 18 de abril de 2016
um dia escreveram este poema para/sobre mim (isso é tão raro)
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sábado, 20 de abril de 2013
tia zê onírica
Essa semana tive um sonho lindo.
Um pouco estranho, porém bonito, de acordar com sorriso.
Eu me impressiono muito com sonhos, acho doido, procuro conexões, passo no mínimo um dia inteiro pensando nele.
Acho difícil contar sonho fazendo explicações no meio, fica difícil esclarecer o que é "ficção" ou não. Ou melhor, o que aconteceu na vida e o que aconteceu nesse mágico universo paralelo onde tudo é possível, presente e passado se encontram, mortos e vivos, conhecidos e desconhecidos.
Conto então o sonho e as referências "reais" entre parênteses:
Eu estava na Avenida Assumpção em Cabo Frio (nessa rua moravam, vizinhos, meus avós e minha tia-avó. todos vivem agora em outro plano astral onde infelizmente não podemos nos encontrar. ainda. nunca. não sei. viva os sonhos, pois.) Meus pais estavam pedalando por ali (precisamos fazer isso juntos) e, enquanto os esperava resolvi entrar na casa que havia sido de Tia Zê (irmã de meu avô que tinha beleza no nome: Zelinda), casa que havia sido vendida, me lembrava. Mas para minha surpresa, tudo estava lá. Funcionava uma produtora, ou algo do tipo, mas a estrutura toda havia sido conservada, a casa no alto, o chão de tábua corrida, o pé direito alto, quintal. E enquanto caminhava passando a mão nos desenhos das paredes, revendo estátuas e lugares onde brincava, eu lembrava da infância. De repente, apareceu Tia Zê, a própria. E eu ficava confusa, pois sabia que ela já tinha morrido, mas ela estava lá, visitando sua ex-casa, mas, já com a memória ruim, não se lembrava de mim. Conversamos um pouco, mas eu não disse quem eu era para não frustá-la com sua não-lembrança. Ao final do sonho o agora dono do local apareceu, falou um pouco sobre a estrutura da casa antiga, que ele gostava, e levei Tia Zê para fora, enquanto esperávamos meu pai, que havia entrado também e tardava a sair pois estava catando alguns objetos antigos que encontrara por lá.
Acordei cheia de saudades mas feliz por tê-la encontrado de alguma forma.
Tia Zê, muito bonita, a melhor doceira, com a melhor "fatia lulu" que comi, que mesmo depois de velhinha fazia hidroginástica na Praia do Forte e surpreendia a todos com seus saltos (aumentei?), elegante em seu maiô. Pequenininha, se parecia muito com meu avô. Depois foi morar numa casinha de madeira (de onde tenho mais lembranças que da casa imponente da avenida) que eu e minha irmã chamávamos de casa de boneca, onde ela mostrava fotos antigas, onde havia um pote com umas balas dessas artesanais, com desenhos. Tia-avó que eu chamava de tia e achava isso engraçado, engraçado de curioso, e tinha "linda" no nome, achava estranho, hoje acho incrível. Irmã do único avô que conheci e muito parecida com ele fisicamente, o paterno Alair, que casou com Maria Aline, de quem herdei o nome e as ancas, talvez. Alair e Zelinda de doces olhos azuis. Outros irmãos também herdaram a cor. Quando criança eu pensava "e eu não, que grande azar".
Amo sonhos.
Um pouco estranho, porém bonito, de acordar com sorriso.
Eu me impressiono muito com sonhos, acho doido, procuro conexões, passo no mínimo um dia inteiro pensando nele.
Acho difícil contar sonho fazendo explicações no meio, fica difícil esclarecer o que é "ficção" ou não. Ou melhor, o que aconteceu na vida e o que aconteceu nesse mágico universo paralelo onde tudo é possível, presente e passado se encontram, mortos e vivos, conhecidos e desconhecidos.
Conto então o sonho e as referências "reais" entre parênteses:
Eu estava na Avenida Assumpção em Cabo Frio (nessa rua moravam, vizinhos, meus avós e minha tia-avó. todos vivem agora em outro plano astral onde infelizmente não podemos nos encontrar. ainda. nunca. não sei. viva os sonhos, pois.) Meus pais estavam pedalando por ali (precisamos fazer isso juntos) e, enquanto os esperava resolvi entrar na casa que havia sido de Tia Zê (irmã de meu avô que tinha beleza no nome: Zelinda), casa que havia sido vendida, me lembrava. Mas para minha surpresa, tudo estava lá. Funcionava uma produtora, ou algo do tipo, mas a estrutura toda havia sido conservada, a casa no alto, o chão de tábua corrida, o pé direito alto, quintal. E enquanto caminhava passando a mão nos desenhos das paredes, revendo estátuas e lugares onde brincava, eu lembrava da infância. De repente, apareceu Tia Zê, a própria. E eu ficava confusa, pois sabia que ela já tinha morrido, mas ela estava lá, visitando sua ex-casa, mas, já com a memória ruim, não se lembrava de mim. Conversamos um pouco, mas eu não disse quem eu era para não frustá-la com sua não-lembrança. Ao final do sonho o agora dono do local apareceu, falou um pouco sobre a estrutura da casa antiga, que ele gostava, e levei Tia Zê para fora, enquanto esperávamos meu pai, que havia entrado também e tardava a sair pois estava catando alguns objetos antigos que encontrara por lá.
Acordei cheia de saudades mas feliz por tê-la encontrado de alguma forma.Tia Zê, muito bonita, a melhor doceira, com a melhor "fatia lulu" que comi, que mesmo depois de velhinha fazia hidroginástica na Praia do Forte e surpreendia a todos com seus saltos (aumentei?), elegante em seu maiô. Pequenininha, se parecia muito com meu avô. Depois foi morar numa casinha de madeira (de onde tenho mais lembranças que da casa imponente da avenida) que eu e minha irmã chamávamos de casa de boneca, onde ela mostrava fotos antigas, onde havia um pote com umas balas dessas artesanais, com desenhos. Tia-avó que eu chamava de tia e achava isso engraçado, engraçado de curioso, e tinha "linda" no nome, achava estranho, hoje acho incrível. Irmã do único avô que conheci e muito parecida com ele fisicamente, o paterno Alair, que casou com Maria Aline, de quem herdei o nome e as ancas, talvez. Alair e Zelinda de doces olhos azuis. Outros irmãos também herdaram a cor. Quando criança eu pensava "e eu não, que grande azar".
Amo sonhos.
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| a gente sempre acha que poderia ter aproveitado mais |
terça-feira, 19 de março de 2013
email de papai, 2011.
Semelhança entre Carlos Drummond de Andrade e eu
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04/05/11
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SER Carlos Drummond de Andrade
O filho que não fiz
hoje seria homem.
Ele corre na brisa,
sem carne, sem nome.
Às vezes o encontro
num encontro de nuvem.
Apóia em meu ombro
seu ombro nenhum.
Interrogo meu filho,
objeto de ar:
em que gruta ou concha
quedas abstrato?
Lá onde eu jazia,
responde-me o hálito,
não me percebeste
contudo chamava-te
como ainda te chamo
(além, além do amor)
onde nada, tudo
aspira a criar-se.
O filho que não fiz
faz-se por si mesmo.
****************************** ******************************
Mas há uma grande diferença entre nós:
Ele tem somente uma e eu, sortudo, tenho duas
belas e grandiosas filhotas para alegrar meus
momentos.
bjs
O filho que não fiz
hoje seria homem.
Ele corre na brisa,
sem carne, sem nome.
Às vezes o encontro
num encontro de nuvem.
Apóia em meu ombro
seu ombro nenhum.
Interrogo meu filho,
objeto de ar:
em que gruta ou concha
quedas abstrato?
Lá onde eu jazia,
responde-me o hálito,
não me percebeste
contudo chamava-te
como ainda te chamo
(além, além do amor)
onde nada, tudo
aspira a criar-se.
O filho que não fiz
faz-se por si mesmo.
******************************
Mas há uma grande diferença entre nós:
Ele tem somente uma e eu, sortudo, tenho duas
belas e grandiosas filhotas para alegrar meus
momentos.
bjs

| 04/05/11![]() | ![]() ![]() | ||
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Pai, coisa mais linda!
AMo vocÊ!

AMo vocÊ!
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Um trecho e depois uma breve história:
"DORMIR
a minha história:
Primeira parte:
fazendo hora na rodoviária hoje, fiquei folheando livros da clarice, agrupando-os juntos (estava tudo solto, pecado, pensei), e avistei "a descoberta do mundo". são crônicas dela para o jornal do brasil entre 1967 e 1973. escolhi uma pelo nome, "Xico Buark me visita". pois, o Chico a visitou a convite dela. li, cheirei a página. li mais um sobre os filhos e, tic-tac, relógio. pelo tamanho do livro, 478 páginas, uau (pra mim), imaginei salgado o preço. a maquininha,fez "pru" e revelou: quase 60 pilas. desisti. ontem mesmo comprei três dela: de entrevista e mais dois para presente.
Segunda parte:
chegando a cabo frio fui encontrar a família na feira do livro que está rolando na praça porto rocha. "olha aline, aqui tem muitos da clarice". sim, e um único exemplar da "descoberta" por... 25 reais!!! não sabia que tão cedo teria esse livro em mãos. a gente sente quando precisa ler um livro, né? compartilhei esse texto do dormir porque era o menor de todos que já marquei. sobre madrugadas de insônia também. sugiro "enquanto vocês dormem" e "insônia feliz e infeliz". além disso, estou lendo seus (dela) encontros, cronologicamente, com o chico buarque, que ela diz admirar pela candura. diz ela também ser assim apesar de não parecer. e uma admiradora de ambos disse vê-los como seres de candura. clarice disse que, pois, a menina "é mil vezes mais cândida que nós".
"DORMIR
O inspetor Maigret tem uma frase assim: "pour agacer le plaisir de dormir", para aguçar o prazer de dormir. Pois inventei uma coisa muito boa nesse sentido: quando enfim deitada, depois de um dia difícil, penso: e se agora eu tivesse que ir a Bonsucesso para comprar um remédio? Aí estremeço de prazer de estar na cama. Ou penso: e se a campainha tocasse e fosse uma dessas visitas gordas em palavras, e me obrigasse a me vestir toda e a ouvir, a ouvir? Então, diante disso, a cama fica preciosa, eu me encolho toda e agucei - como traduzir agacer - o prazer de ter uma cama."
p 133, A descoberta do mundo, Clarice.
Primeira parte:
fazendo hora na rodoviária hoje, fiquei folheando livros da clarice, agrupando-os juntos (estava tudo solto, pecado, pensei), e avistei "a descoberta do mundo". são crônicas dela para o jornal do brasil entre 1967 e 1973. escolhi uma pelo nome, "Xico Buark me visita". pois, o Chico a visitou a convite dela. li, cheirei a página. li mais um sobre os filhos e, tic-tac, relógio. pelo tamanho do livro, 478 páginas, uau (pra mim), imaginei salgado o preço. a maquininha,fez "pru" e revelou: quase 60 pilas. desisti. ontem mesmo comprei três dela: de entrevista e mais dois para presente.
Segunda parte:
chegando a cabo frio fui encontrar a família na feira do livro que está rolando na praça porto rocha. "olha aline, aqui tem muitos da clarice". sim, e um único exemplar da "descoberta" por... 25 reais!!! não sabia que tão cedo teria esse livro em mãos. a gente sente quando precisa ler um livro, né? compartilhei esse texto do dormir porque era o menor de todos que já marquei. sobre madrugadas de insônia também. sugiro "enquanto vocês dormem" e "insônia feliz e infeliz". além disso, estou lendo seus (dela) encontros, cronologicamente, com o chico buarque, que ela diz admirar pela candura. diz ela também ser assim apesar de não parecer. e uma admiradora de ambos disse vê-los como seres de candura. clarice disse que, pois, a menina "é mil vezes mais cândida que nós".
link da minha foto com clara e clarices
identifico-me, deleito-me, encho o peito e sugiro leitura em muitas doses para enchê-los de candura a todos.
bons sonhos.
em peixes.
identifico-me, deleito-me, encho o peito e sugiro leitura em muitas doses para enchê-los de candura a todos.
bons sonhos.
em peixes.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
sonhos vespertinos são sempre esquisitos e os mais difíceis de sair
![]() |
| bel ao ver a foto disse: tinha acabado de acordar,né? pois. |
Eu estava em Cabo Frio. Tomava uma cerveja com Jonas num bar, ele fumava. Tinham dois garotos de vibe estranha me olhando, meio que paquerando. Não gostei dos olhares. Chamei Jonas para irmos embora, ele continuou lá. Eu fiz cena e fui andando. Ele demorou para vir atrás. Eu corri ao dobrar a esquina. Aí, vi que ele me procurava e tentei ligar. Mas a TIM dizia: "para fazer essa chamada você deve digitar...". Eu tentava ligar enquanto entrava numa loja para me esconder de pessoas com fantasias de terror e bate-bola. Aí percebi que era halloween. Achei estranho pela época do ano. Eu e um menininho estávamos com medo. Sai da loja e peguei a primeira van que vi, já estava perto de casa, no Canal. Ainda tentava ligar pro Jonas quando vi que já passava de casa, atravessávamos já a estrada do Peró. Gritei "Paaaara moço, passei do ponto, vou descer aqui!". Ele xingou qualquer coisa e fez uma curva brusca para voltar. Eu gritei "bem feito!", e a van rumou para a água, mas ele conseguiu que, deslizando pela superfície, voltassemos para a pista. Durante esse rápido susto eu lembrei que haviam duas criancinhas gêmeas no banco da frente e gritei. Um passageiro me repudiou: "viu o seu 'bem feito'??!!!" Eu, assustada, só respondi: "Imagina, jamais desejei isso!". Desci. Andava rápido para casa. Estavam arrumando a encenação da Paixão de Cristo. Achei estranho tantas festividades juntas. Apareceu um garoto de uns 11 anos brincando com cara de malvadinho, com uma espada de pirata (de brinquedo) pra cima de mim. Fui logo falando "Eu te conheço,né...", então ele lembrou (dum mercado,acho) e ficou com uma cara mais amigável, mas foi seguindo-me até o portão de casa. Abri com medo de ter acontecido algo pois todos viajavam e faziam dois dias que eu tava fora. Vi a janela aberta. "Pai...?". Sim, era ele. Respirei aliviada enquanto o menino botava a cabeça no portão para olhar o interior da casa. Depois eu sorri, disse qualquer coisa e ele foi embora. A casa não era a de hoje em dia, era a casa antiga, sem garagem, de um só andar, com a janela dando para o corredor da travessia. Era a casa da infância.
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