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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Cena 3 - Carnaval

Cena:
Noite. Domingo de Carnaval. Chove. O guarda-chuva grande combina com a cor dos cabelos dela. Ainda que não seja a mesma - a cor, ela. Ninguém pára os táxis. Ninguém vende sakê. Caminha e encontra amigos coloridos e molhados de chuva. Peitos nus, unhas postiças. É a senhora dos absurdos? Fica encantada com a beleza do novo loiro. Parece estrela. Ninguém pára táxis. Ninguém vende sakê. O metrô sentido zona norte é uma babilônia. Gritos, multidão, ameaça de brigas. Álcool. Ela não tem uma gota nas veias. Uma mulher passa gritando: Não estou aguentando! Seu acompanhante a alerta que a saída é pro outro lado. Raquel (meu codinome beija-flor) desce as escadas aliviada de ver que o sentido para onde vai está calmo e tranquilo. (De tudo isso, qual é o sentido?) A mulher, que antes gritara, parece querer aliviar-se também e, sem cerimônias, agacha-se no topo da escada que dá acesso à plataforma, abaixa a calcinha e... mija. Guardas desconcertados se falam pelo rádio, mas nenhum é capaz de interromper o fluxo natural daquela mulher que já não aguentava mais. Ao final o guarda sobe, ela corre, entra no vagão e parte, espremida aos demais foliões que cantam. Do lado de cá chega também o metrô colorido do Rio. Rio.

raquel mirando

terça-feira, 4 de novembro de 2014

do flickr - setembro de 2012 - série de autorretratos



adoro preto e branco. foi logo que cortei o cabelo, é sempre bom parar fases novas da minha vida. a noite anterior tinha sido louca, uma festa, eu me senti brilhando, primeira vez que eu "flertava" de verdade depois de ter vivido mais de um ano junto. tipo fênix. tipo encontros de vida. dia seguinte uma ressaca louca e começo de uma história romântica mais louca ainda. apenas mais uma de amor. quando coloquei no facebook a foto uma mulher disse "vc é um deslumbre", corei-sorri. uma amiga disse que tô com cara de psyco. minha irmã achou muito camisa do colégio.

sábado, 19 de julho de 2014

quinta-feira, 17 de julho de 2014

ciranda da rosa azul marinha

"Teu beijo doce
Tem sabor do mel da cana.
Sou tua ama, tua escrava,
Meu amor.
Sou tua cana, teu engenho, teu moinho;
Tu és feito um passarinho
Que se chama beija-flor.
Sou tua cana, teu engenho, teu moinho;
Tu és feito um passarinho
Que se chama beija-flor."



terça-feira, 10 de junho de 2014

sobre o amor nos tempos de.

para sobreviver, leiam esse texto de suely rolnik -  amor: o impossível... e uma nova suavidade.
http://territoriosdefilosofia.wordpress.com/2014/06/07/amor-o-impossivel-e-uma-nova-suavidade-suely-rolnik/
foto: minha
irmã: minha
espaço sideral cheio de possibilidades e combinações: de todxs nós.

do texto, trechos:

"Na imobilidade ranheta de Penélope (que tece, mas eternamente os mesmos fios) ou no movimento compulsivo de Ulisses (que nada tece) é sempre a mesma chatice, a mesma impotência, o mesmo sufoco.

Penélopes tecem, mas sempre o mesmo: amor por Ulisses. Fios, humanos ou não, são nada para Penélope: ela os rejeita a todos, ou nem sequer os enxerga. Seu argumento é a eterna atualidade do tecido que tece para (e com) Ulisses, obra que lhe toma todo o tempo e espaço. Tecido a cada noite desmanchado, reinventado a cada dia. Não é por gosto do tecer que ela tece, mas por gosto do reproduzir do tecido — imagem desse amor. O mundo torna-se assim absoluto: ela e o outro (Ulisses) dentro dela. Penélopes eternamente condenadas à vontade de ficar.

Ulisses viajam, não tecem. Andam por toda parte sem estar em parte alguma. Fios, humanos ou não, não ocasionam um tecer, mas são pedaços-imagem de mundo de que Ulisses tenta se apossar a cada aventura. O mundo torna-se assim absoluto: Ulisses e o outro (todas as outras) que ele penetra. Pedaços cuja montagem forma uma imagem de mundo. Ulisses eternamente condenados à vontade de partir.

Constatamos também que ficar enaltecendo essa liberdade de circular desencarnadamente, sem Penélope alguma a nos espelhar em sua espera (máquinas celibatárias), acaba nos desencarnando é da própria vida. Consternados, descobrimos que por ter pretendido nos livrar do espelho, o que acabamos perdendo é a possibilidade de envolvimento — como se a única ligação possível fosse a especular. Por ter pretendido nos livrar da simbiose, o que acabamos perdendo é a possibilidade de montagem de territórios — como se a única montagem possível fosse a simbiótica

Ficamos imaginando um além do homem (humano e/ou desumano), onde campos de intimidade se instaurem. Territórios-pousada. Uma certa inocência.

Um além do espelho onde nossa viagem não seja nem mais aquela (agarrada) de um Ulisses, nem aquela outra (desgarrada) das máquinas celibatárias. Viagem solitária: uma solidão povoada pelos encontros com o irredutivelmente outro."

nada vai me fazer desistir do amor

nada vai me fazer desistir do amor
a saudade bateu foi que nem maré
quando vem de repente de tarde invade e transborda
a saudade é que nem maré



versos da música que nem maré de jorge vercillo aqui: 

terça-feira, 24 de setembro de 2013

lembranças: casa verde



Ainda posso ouvir o barulho que essa escada fazia.

Os passos leves da Andressa, a descida rápida do André para ir comprar cigarros e coca(cola), as pessoas que subiam para visitas - e do quarto víamos com alegria a cabecinha apontando no alto da escada ("quem será?"), ou víamos com curiosidade quando a visita se dirigia sorrateiramente para o quarto em frente.
Quando todos, num verão desses piores do lugar mais quente (Niterói) desceram pro menor quarto por ser o único com ar condicionado.
As garrafas vazias de vinho no móvel ao pé da escada com rolinhos de poemas e recados dentro.
O nosso Natal dos Amigos com ceia e amigo-oculto.
Todos os momentos.
Todos os moradores mais queridos e especiais.
(pois também Carolina, Rod, Natália, Gyssele)
Todos os agregados (como eu, Livia, Nicolas, Ana Lucia, Ana Beatriz, Daya, Erê, etc etc etc)
Foi uma linda temporada da série "Mulheres à beira de um ataque de beijos".rs
Lembranças e saudades,
Eu.


sábado, 20 de abril de 2013

tia zê onírica

Essa semana tive um sonho lindo.
Um pouco estranho, porém bonito, de acordar com sorriso.
Eu me impressiono muito com sonhos, acho doido, procuro conexões, passo no mínimo um dia inteiro pensando nele.
Acho difícil contar sonho fazendo explicações no meio, fica difícil esclarecer o que é "ficção" ou não. Ou melhor, o que aconteceu na vida e o que aconteceu nesse mágico universo paralelo onde tudo é possível, presente e passado se encontram, mortos e vivos, conhecidos e desconhecidos.
Conto então o sonho e as referências "reais" entre parênteses:
Eu estava na Avenida Assumpção em Cabo Frio (nessa rua moravam, vizinhos, meus avós e minha tia-avó. todos vivem agora em outro plano astral onde infelizmente não podemos nos encontrar. ainda. nunca. não sei. viva os sonhos, pois.) Meus pais estavam pedalando por ali (precisamos fazer isso juntos) e, enquanto os esperava resolvi entrar na casa que havia sido de Tia Zê (irmã de meu avô que tinha beleza no nome: Zelinda), casa que havia sido vendida, me lembrava. Mas para minha surpresa, tudo estava lá. Funcionava uma produtora, ou algo do tipo, mas a estrutura toda havia sido conservada, a casa no alto, o chão de tábua corrida, o pé direito alto, quintal. E enquanto caminhava passando a mão nos desenhos das paredes, revendo estátuas e lugares onde brincava, eu lembrava da infância. De repente, apareceu Tia Zê, a própria. E eu ficava confusa, pois sabia que ela já tinha morrido, mas ela estava lá, visitando sua ex-casa, mas, já com a memória ruim, não se lembrava de mim. Conversamos um pouco, mas eu não disse quem eu era para não frustá-la com sua não-lembrança. Ao final do sonho o agora dono do local apareceu, falou um pouco sobre a estrutura da casa antiga, que ele gostava, e levei Tia Zê para fora, enquanto esperávamos meu pai, que havia entrado também e tardava a sair pois estava catando alguns objetos antigos que encontrara por lá.
Acordei cheia de saudades mas feliz por tê-la encontrado de alguma forma.
Tia Zê, muito bonita, a melhor doceira, com a melhor "fatia lulu" que comi, que mesmo depois de velhinha fazia hidroginástica na Praia do Forte e surpreendia a todos com seus saltos (aumentei?), elegante em seu maiô. Pequenininha, se parecia muito com meu avô. Depois foi morar numa casinha de madeira (de onde tenho mais lembranças que da casa imponente da avenida) que eu e minha irmã chamávamos de casa de boneca, onde ela mostrava fotos antigas, onde havia um pote com umas balas dessas artesanais, com desenhos. Tia-avó que eu chamava de tia e achava isso engraçado, engraçado de curioso, e tinha "linda" no nome, achava estranho, hoje acho incrível. Irmã do único avô que conheci e muito parecida com ele fisicamente, o paterno Alair, que casou com Maria Aline, de quem herdei o nome e as ancas, talvez. Alair e Zelinda de doces olhos azuis. Outros irmãos também herdaram a cor. Quando criança eu pensava "e eu não, que grande azar".
Amo sonhos.

a gente sempre acha que poderia ter aproveitado mais


quarta-feira, 6 de março de 2013

do instante


o que separa

o corpo

é o abismo

de tempo

que desmancha

os corpos.


imagens: fundos de apartamento alugado
da série 'primavera porteña, 2012.'

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Um trecho e depois uma breve história:

"DORMIR

O inspetor Maigret tem uma frase assim: "pour agacer le plaisir de dormir", para aguçar o prazer de dormir. Pois inventei uma coisa muito boa nesse sentido: quando enfim deitada, depois de um dia difícil, penso: e se agora eu tivesse que ir a Bonsucesso para comprar um remédio? Aí estremeço de prazer de estar na cama. Ou penso: e se a campainha tocasse e fosse uma dessas visitas gordas em palavras, e me obrigasse a me vestir toda e a ouvir, a ouvir? Então, diante disso, a cama fica preciosa, eu me encolho toda e agucei - como traduzir agacer - o prazer de ter uma cama."

p 133, A descoberta do mundo, Clarice.

a minha história:

Primeira parte:
fazendo hora na rodoviária hoje, fiquei folheando livros da clarice, agrupando-os juntos (estava tudo solto, pecado, pensei), e avistei "a descoberta do mundo". são crônicas dela para o jornal do brasil entre 1967 e 1973. escolhi uma pelo nome, "Xico Buark me visita". pois, o Chico a visitou a convite dela. li, cheirei a página. li mais um sobre os filhos e, tic-tac, relógio. pelo tamanho do livro, 478 páginas, uau (pra mim), imaginei salgado o preço. a maquininha,fez "pru" e revelou: quase 60 pilas. desisti. ontem mesmo comprei três dela: de entrevista e mais dois para presente.

Segunda parte:
chegando a cabo frio fui encontrar a família na feira do livro que está rolando na praça porto rocha. "olha aline, aqui tem muitos da clarice". sim, e um único exemplar da "descoberta" por... 25 reais!!! não sabia que tão cedo teria esse livro em mãos. a gente sente quando precisa ler um livro, né? compartilhei esse texto do dormir porque era o menor de todos que já marquei. sobre madrugadas de insônia também. sugiro "enquanto vocês dormem" e "insônia feliz e infeliz". além disso, estou lendo seus (dela) encontros, cronologicamente, com o chico buarque, que ela diz admirar pela candura. diz ela também ser assim apesar de não parecer. e uma admiradora de ambos disse vê-los como seres de candura. clarice disse que, pois, a menina "é mil vezes mais cândida que nós". 

link da minha foto com clara e clarices

identifico-me, deleito-me, encho o peito e sugiro leitura em muitas doses para enchê-los de candura a todos.

bons sonhos.
em peixes.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

túnel miranda do tempo

irmã, vó, prima e eu (em cima, em cima, tipo naldo)
vovó amou recriar a foto (que tava na estante dela).
passou batom e tudo.
júlia também.
eu fiquei troncha. mas era difícil caber ainda no sofá.
amo memória, amo foto.
façam o mesmo. é divertido.
e visitem seus avós.
uma tia de coração que está com a mãe velhinha disse:
"visita de neto faz milagre, é melhor que visita de filho. sério"
minha tia concordou:
"depois que vocês almoçaram com sua avó eu liguei e perguntei - como a senhora está? e incrivelmente ela disse - estou muito bem!"
tem vó que sempre reclama de dor.
quer carinho.
eu agora, só tenho essa por perto.
apesar de vovó galego, é nelina o nome dela.
quase um anagrama para o meu,
que homenageou a avó paterna, maria aline.
sinto que carrego então um pouquinho de cada avó.