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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Cena 3 - Carnaval

Cena:
Noite. Domingo de Carnaval. Chove. O guarda-chuva grande combina com a cor dos cabelos dela. Ainda que não seja a mesma - a cor, ela. Ninguém pára os táxis. Ninguém vende sakê. Caminha e encontra amigos coloridos e molhados de chuva. Peitos nus, unhas postiças. É a senhora dos absurdos? Fica encantada com a beleza do novo loiro. Parece estrela. Ninguém pára táxis. Ninguém vende sakê. O metrô sentido zona norte é uma babilônia. Gritos, multidão, ameaça de brigas. Álcool. Ela não tem uma gota nas veias. Uma mulher passa gritando: Não estou aguentando! Seu acompanhante a alerta que a saída é pro outro lado. Raquel (meu codinome beija-flor) desce as escadas aliviada de ver que o sentido para onde vai está calmo e tranquilo. (De tudo isso, qual é o sentido?) A mulher, que antes gritara, parece querer aliviar-se também e, sem cerimônias, agacha-se no topo da escada que dá acesso à plataforma, abaixa a calcinha e... mija. Guardas desconcertados se falam pelo rádio, mas nenhum é capaz de interromper o fluxo natural daquela mulher que já não aguentava mais. Ao final o guarda sobe, ela corre, entra no vagão e parte, espremida aos demais foliões que cantam. Do lado de cá chega também o metrô colorido do Rio. Rio.

raquel mirando

terça-feira, 24 de setembro de 2013

lembranças: casa verde



Ainda posso ouvir o barulho que essa escada fazia.

Os passos leves da Andressa, a descida rápida do André para ir comprar cigarros e coca(cola), as pessoas que subiam para visitas - e do quarto víamos com alegria a cabecinha apontando no alto da escada ("quem será?"), ou víamos com curiosidade quando a visita se dirigia sorrateiramente para o quarto em frente.
Quando todos, num verão desses piores do lugar mais quente (Niterói) desceram pro menor quarto por ser o único com ar condicionado.
As garrafas vazias de vinho no móvel ao pé da escada com rolinhos de poemas e recados dentro.
O nosso Natal dos Amigos com ceia e amigo-oculto.
Todos os momentos.
Todos os moradores mais queridos e especiais.
(pois também Carolina, Rod, Natália, Gyssele)
Todos os agregados (como eu, Livia, Nicolas, Ana Lucia, Ana Beatriz, Daya, Erê, etc etc etc)
Foi uma linda temporada da série "Mulheres à beira de um ataque de beijos".rs
Lembranças e saudades,
Eu.


terça-feira, 16 de julho de 2013

lê, tícia.

Um dos blogs que "analiso"* na minha dissertação é o da dona moça letícia maria (o maria é carinhoso e por minha conta), na verdade Letícia Novaes.
Conheci Letícia primeiro na música e logo depois na escrita, e tempo depois, na vida.
Para mim é sempre um prazer lê-la e ouvir suas ideias e blablablás.
Dona capricorniana tem um jeito de escrever muito bonito, sincero, um abraço.
Sempre achei esse nome bonito, Letícia significa alegria, que ela traduz tão bem e enche olhos e bocas d'água.
Quando penso nela, imagino amarelo, sol, sorriso, verão, violão.
Letícia escreve memórias para o futuro dos sobrinhos; recorda memórias passadas (meus textos preferidos e que tantas vezes me fazem chorar e amar a criança que foi/é, caminham por aqui); coloca seu olhar sobre o presente e as miudezas e grandezas dessa vida; além de compor canções que embalam sonhos, cores e nuvens.
Aguardo seu livro.


letícia ama escrever: https://www.youtube.com/watch?v=W3zsxfuRNNI
(foi justamente rever esse vídeo que me impulsionou escrever esse post. mas não consegui colocar a miniatura. vale a pena o click. uma vez fui mostrar o cd do letuce para uma amiga e disse: "a letícia é uma pessoa muito.. muito.. única. bom, a letícia é isso:" e mostrei o vídeo. somos todas da mesma tribo.)

"Eu amo escrever. Se a música não tivesse me capturado eu realmente teria sido escritora. Eu cheguei a fazer faculdade de Letras, mas não era muito bem o que eu esperava, eu esperava um clima Sociedade dos Poetas Mortos, pessoas nuas no corredor declamando poesia e foi um clima muito acadêmico, pentelho e chato. Aí eu pensei, eu amo Letras mas não é bem o clima da faculdade." (letícia)


"Tudo o que é bizarro, bizolo, eu capto a minha atenção para esse lugar e me envolvo com isso e  me inspiro." (letícia)

"O que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto de um modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão." (clarice)


letícia ama ler: 




*analiso? estudo? cito? nunca sei que palavra usar. ainda não sei.

ps: eu também, letícia, imaginava faculdade de letras de outro jeito...fuén
pps: algumas postagens de certa forma entrarão na dissertação, tudo aqui nesse blog é experimentação. é o off-escrita acadêmica, é o in, on.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

chove em santa. amém.

vista da janela: 
a chuva fina 
iluminada pela luz amarela do poste
entre árvores 
e a buzina do moço do carrinho de doces. 
agora sinto o cheiro dela.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

coruja

passava 12 horas do dia
amolecida
do calor intenso.
para na madrugada
ser invadida
pelo frescor
de palavras
e ideias.